22 de mar de 2012

TEORIA DO VINCULO DE PICHÓN RIVIÈRE
Carlos Alberto de Souza Cabello
Sumário
Teoria do vinculo de Pichón Rivière ao ambiente da sala de aula de hoje
Resumo:O presente trabalho pretende demonstrar contribuições da Teoria do Vinculo de Pichón Rinières sobre a necessária participação da família no desenvolvimento e aprendizagem,
destacando o significado de entender a família e a escola como ambientes educacionais em que os meninos, as meninas e as pessoas adultas se desenvolvem e constroem o conhecimento. Além disso, busca-se enfatizar que na perspectiva, tanto do contexto familiar quanto o da escola são compostos por pessoas, que desenvolvem um determinado papel e que, além disso, utilizam instrumentos que cumprem determinadas funções. Destaca-se a necessidade de conscientizar o papel da família no processo de aprendizagem de seus filhos. E,  de uma forma muito consciente, propõe  que as famílias assumam suas respectivas responsabilidades.
Résumé:
Cet article discute les contributions de la théorie des obligations Pichón Rini nécessaire à la participation de la famille dans le développement et l'apprentissage, soulignant l'importance de la compréhension de la famille et l'école comme milieu éducatif dans lequel les garçons, les filles et les adultes à développer et à construire des connaissances. De plus, nous cherchons à souligner que dans la perspective, à la fois du contexte familial et l'école sont faites par des gens qui développent un certain rôle et que, par ailleurs, utiliser des instruments qui répondent à certaines fonctions. Il ya la nécessité d'éduquer le rôle de la famille dans le processus d'apprentissage de leurs enfants. Et dans une très conscient, propose que les familles assument leurs responsabilités respectives.
INTRODUÇÃO
O trabalho de Pichón Rivière ocorreu inicialmente com grupos à medida que observava a influência do grupo familiar em seus pacientes. Seguindo os conceitos da psicologia social, afirmou que o homem desde seu nascimento encontra-se inserido em grupos, o primeiro deles a família se ampliando a amigos, escola e sociedade. Portanto é impossível conceber uma interpretação de ser humano sem levar em conta seu contexto, ou a influência do mesmo na constituição de diferentes papéis que se nos assumem diferentes grupos por que passamos. Pichón desenvolveu, então, a técnica dos grupos operativos.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICAEle entende por grupo operativo aquele centrado em uma tarefa de forma explícita (ex: aprendizado cura, diagnóstico de dificuldade), e outra tarefa de forma implícita, subjacente à primeira. Dentro desta concepção, desenvolveu conceitos e instrumentos que possibilitam a compreensão do campo grupal como estrutura em movimento, o que deixa claro o caráter dinâmico do grupo, que pode ser vertical, horizontal, homogêneo, heterogêneo, primário ou secundário. O objetivo da técnica é abordar, através da tarefa, da aprendizagem, os problemas pessoais relacionados com a tarefa, levando o indivíduo a pensar; o indivíduo "aprende a pensar", passando de um pensar vulgar para um pensar científico. A execução da tarefa implica em enfrentar alguns obstáculos que se referem a uma desconstrução de conceitos estabelecidos - desconstrução de certezas adquiridas. Para o grupo implica em trabalhar sobre o objeto-objetivo (tarefa explícita) e sobre si (tarefa implícita), buscando romper com estereótipos e integrar pensamento e conhecimento.
DESENVOLVIMENTO
Assim, entrar em tarefa significa o grupo assumir o desafio de conquistar o desejo na produção e a produção no desejo. Antes de entrar em tarefa o grupo passa por um período de "resistência", onde o verdadeiro objetivo, da conclusão da tarefa, não é alcançado. Essa postura paralisa o prosseguimento do grupo. Realizam-se tarefas apenas para passar o tempo, o que acaba por gerar uma insatisfação entre os integrantes (tal período denomina-se pré-tarefa). São tarefas sem sentido onde lhe falta a revelação de si mesmo. Somente passado este período, o grupo, com o auxílio do coordenador, entra em tarefa, onde serão trabalhadas as ansiedades e questões do grupo.
A partir dessas, elabora-se o que Pichón chamou de projeto, onde se aplicam estratégias e táticas para produzir mudança. Foram nas atividades e análise de grupos que Pichón desenvolveu os conceitos de verticalidade e horizontalidade. O primeiro se trata da história pessoal de cada integrante, história essa que faz parte da determinação dos fenômenos no campo grupal, por horizontalidade entende-se como a dimensão grupal atual, elementos que caracterizam o grupo.
A intersecção entre a verticalidade e a horizontalidade dá origem aos diferentes papéis que o indivíduo assume no grupo. Os papéis se formam de acordo com a representação que cada um tem de si mesmo que responde as expectativas que os outros têm de nós. Constata-se a manifestação de vários papéis no campo grupal, destacando-se o papel do porta-voz, bode expiatório, líder e sabotador.
Porta-voz: é aquele que expressa às ansiedades do grupo, ele é o emergente que denuncia a ansiedade predominante no grupo a qual está impedindo a tarefa;
Bode expiatório: é aquele que expressa à ansiedade do grupo, mas diferente do porta-voz, sua opinião não é aceita pelo grupo, de modo que este não se identifica com a questão levantada gerando uma segregação no grupo, pode-se dizer dele como depositário de todas as dificuldades do grupo e culpado de cada um de seus fracassos;
Líder: A estrutura e função do grupo se configuram de acordo com os tipos de liderança assumidos pelo coordenador, apesar de a concepção de líder ser muito singular e flutuante. O grupo corre o risco de ficar dependente e agir somente de acordo com o líder e não como grupo;
Sabotador: é aquele que conspira para a evolução e conclusão da tarefa podendo levar a segregação do grupo;
No início do grupo, os papéis tendem a ser fixo, até que se configure a situação de lideranças funcionais.Todo grupo denuncia, mesmo na mais simples tarefa, um emergente grupal. Este é exatamente aquilo que numa situação ou outra se enche de sentido para aquele que observa para quem escuta. O observador observa o existente segundo a equação elaborada por Pichón.
EXISTENTE ===>> INTERPRETAÇÃO ===>> EMERGENTE ===>> EXISTENTE3
O existente só ocorre à medida que faz sentido (para o observador) e a partir de uma interpretação se torna o emergente do grupo. Este novo emergente leva a um novo existente, o qual por sua vez requer uma nova interpretação, que levará o outro emergente. O coordenador toma um papel muito importante à medida que é dele que emanam as interpretações, ele é quem dá o sentido ao grupo, e é este sentido que mobilizará uma aprendizagem, uma transformação grupal. Ele atua primariamente como um orientador que favorece a comunicação intergrupal e tenta evitar a discussão frontal. Para Pichon, grupo operativo é um instrumento de trabalho, um método de investigação e cumpre, além disso, uma função terapêutica, pois, se caracteriza por estar centrada, de forma explícita, em uma tarefa que pode ser o aprendizado, a cura, o diagnóstico de dificuldades, etc. Sua teoria tem como premissa principal o indivíduo inserido em um grupo, percebendo a intersecção entre sua história pessoal até o momento de sua afiliação a este grupo (verticalidade), com a história social deste grupo até o momento (horizontalidade).
Pichon caracteriza grupo como um conjunto restrito de pessoas, que, ligadas por constantes de tempo e espaço e articuladas por sua mútua representação internas, propõe-se, em forma explícita ou implícita, a uma tarefa que constitui sua finalidade. Dentro deste processo, o indivíduo é visto como um resultante dinâmico no interjogo estabelecido entre o sujeito e os objetos internos e externos, e sua interação dialética através de uma estrutura dinâmica que Pichon denomina de vínculo. Vínculo é definido como "uma estrutura complexa que inclui um sujeito, um objeto, e sua mútua interpelação com processos de comunicação e aprendizagem”. (Pichon, 1988) Ao elaborar a teoria do vínculo, Pichon a diferencia da teoria das relações de objeto concebida pela Psicanálise (que descreve as possíveis relações de um sujeito com o objeto sem levar em conta a volta do objeto sobre o sujeito, isto é, uma relação linear), propondo, então, o estudo da relação como uma espiral dialética onde tanto o sujeito como o objeto se realimenta mutuamente. É sempre uma situação em forma de espiral contínua, onde o que se diz ao paciente, por exemplo-interpretação, no caso de um vínculo terapêutico - determina certa reação do paciente que é assimilada pelo terapeuta que, por sua vez, a reintroduz em uma nova interpretação. A teoria do vínculo também pode ser enunciada como uma estrutura triangular, ou seja, todo o vínculo é bi-corporal, mas como em toda a relação humana, há um terceiro interferindo, olhando, corrigindo e vigiando (alguns aspectos do que Freud chamou como complexo superego). Esta estrutura inclui no esquema de referência o conceito de um mundo interno em interação contínua, origem das fantasias inconscientes.
A fantasia inconsciente é então produto de interações de vínculos entre os objetos do grupo interno, que pode condicionar uma imagem distorcida em distintos graus do mundo exterior, particularmente do papel do outro cuja percepção está, portanto determinada por situações de reencontro de objetos desse grupo interno. ”A partir daí e do processo de interação grupal que surgem as fantasias básicas universais do grupo, que segundo Pichon, bloqueiam a atividade grupal no momento da pré-tarefa, determinando a utilização de técnicas defensivas (a partir da presença dos medos básicos, ansiedade de perda e ataques) que estruturam o que se denomina resistência à mudança. É então no momento da tarefa que acontece a abordagem e elaboração das ansiedades, e que se efetua um salto por somação quantitativa de insight através do qual se personifica e se estabelece uma relação com o outro (diferenciado). O grupo operativo age então de forma a fornecer aos participantes, através da técnica operativa, a possibilidade de sedarem conta e explorar suas fantasias básicas, criando condições de mobilizar e romper suas estruturas estereotipadas. Daí a importância da análise do vínculo tanto em termos intersubjetivos como intra-subjetivos para permitir um aprofundamento no estudo da interação grupal. Pichon concebe o”. Vínculo como uma estrutura dinâmica em contínuo movimento, que engloba tanto o sujeito como o objeto e afirma que está estrutura dinâmica apresenta características consideradas normais e alterações interpretadas como patológicas. Considera um vínculo normal àquele que se estabelece entre o sujeito e um objeto quando ambos têm possibilidades de fazer uma escolha livre de um objeto, como resultado de uma boa diferenciação entre ambos.
Em nenhum paciente apresenta um tipo único de vínculo: todas as relações de objeto e todas as relações estabelecidas com o mundo são mistas. Existe uma divisão que é mais ou menos universal, no sentido de que por um lado se estabelecem relações de um tipo, e por outro, de um tipo diverso. (Pichon-Riviére, 1991).
Sendo assim, uma pessoa pode estabelecer um vínculo paranóico por um lado, e por outro um vínculo normal ou ainda um vínculo tendendo à hipocondria, isso porque as relações que o sujeito estabelece com o mundo são variadas, bem como as estruturas vinculares que utiliza.  O vínculo se expressa em dois campos psicológicos: interno e externo. É o interno que condiciona muito dos aspectos externos e visíveis da conduta do sujeito. O processo de aprendizagem da realidade externa é determinado pelos aspectos ou características obtidas da aprendizagem prévia da realidade interna, a qual se dá entre o sujeito e seus objetos internos.  O vínculo não necessariamente se dá de forma individual (duas pessoas), ele pode se dar de forma grupal, chegando a se estender a uma nação, o qual pode ser influenciado pelas mesmas características as quais influenciam um vínculo estabelecido com duas pessoas (vínculo individual). A respeito dos conceitos de papel e vínculo, Pichon (1991) afirma que esses conceitos se entrecruzam e por isso uma terapia centrada nesse sentido deve abordar tanto a estrutura do vínculo, como os diversos papéis, os quais terapeuta e paciente se atribuem. Logo, o papel se inclui na situação do vínculo. Ele se caracteriza por ser transitório e possuir uma função determinada, a qual pode aparecer em uma determinada situação e em cada pessoa de forma particular. Ou seja, a forma como lidamos com determinados contextos concretos influenciará a nossa atitude; de uma maneira mais simples as várias formas de lidarmos com os problemas, a isso Pichon atribui à denominação de papéis. Dessa forma, para Pichon o papel do coordenador no grupo operativo é o de “coopensor", isto é aquele que pensa junto com o grupo, ao mesmo tempo em que integra o pensamento grupal, facilitando a dinâmica da comunicação grupal. Dessa forma, com a Teoria do Vínculo,
CONCLUSÃOPichon considera o indivíduo como uma resultante dinâmica, não da ação dos instintos e objetos interiorizados, mas sim do interjogo estabelecido entre sujeito e os objetos internos e externos por meio de uma interação dialética, a qual pode ser observada através de certas condutas, sendo um desses grupos mais enfatizado e armazenado para toda a vida a família.
A transformação histórica do contexto sócio cultural resulta de um processo em constante evolução ao qual a estrutura familiar vai se moldando. No entanto, é importante considerar que por maiores que sejam as modificações na configuração familiar, essa instituição “permanece como unidade básica de crescimento e experiência, desempenho ou falha”, tanto para o desempenho saudável quanto patológico de seus componentes. Se por um lado às conquistas no âmbito do trabalho promoveram um maior sucesso roubou a possibilidade de controle de seu tempo, sobretudo no que se refere à dedicação aos filhos e ao desempenho da função educativa dentro da família. O fato de as mulheres terem que aceitar novas funções, muitas vezes não por querer, mas por necessidade, faz os filhos começarem a ganhar valores sociais mais cedo, logo os valores morais instituídos pela família são restringidos. Aos quatro anos (às vezes até antes, podemos observar as crianças ainda com fraldas sendo deixadas por seus pais na escola por volta das 07 horas da manhã), pois diante de uma sociedade moderna a mãe esta trabalhando e na medida em que diminui a disponibilidade de tempo para os filhos, os pais necessitam contar cada vez mais com outras fontes de recursos como a escola que auxiliem no exercício da função educadora e dividam com eles tal responsabilidade. É necessário destacar infelizmente, que os pais são obrigados a “Terceirizar a Educação de seus Filhos para a escola”, e a mesma por sua vez repassa tais responsabilidades aos professores, tias, recreacionistas, professora da educação infantil. Há necessidade de enfatizar o papel da família como referência, mas principalmente, no desenvolvimento afetivo e emocional. Durante toda esta fase do ciclo de estudos, as escolas para demonstrarem seus diferenciais ocupam todo o tempo das crianças, muitas vezes sufocado-as com inúmeras atividades, deixando-as muito cedo com certa resistência à escola. Para o médico clinico e terapeuta Salvador Minuchin (1970), no entendimento e tratamento dos fenômenos familiares, partindo do pressuposto de que a “família se organiza por meio de padrões que, uma vez conhecidos, decifram o entendimento de sua dinâmica, e fornece diretrizes eficazes na preparação de um mapa familiar, para que o terapeuta possa traçar estratégias a transformar padrões transacionais disfuncionais. Segundo o autor, tal abordagem parte do pressuposto de que a família se organiza por meio de padrões que, uma vez conhecidos, decifram o entendimento de seu movimento sob influências, fornecendo condições para que o terapeuta crie condições de interferir e ajudar a minimizar as possíveis disfunções. É conclusivo que a estrutura familiar é formada por um conjunto de regras encobertas que determinaram os relacionamentos entre seus membros. Essas transações relacionais localizam o lugar de cada membro da família e a forma com o que é exercido, quando repetidas estas transações”. Relacionais formam padrões permanentes que são chamados de padrões transacionais. Assim, é importante que a família seja conscientizada da necessidade de não apenas arcar com as mensalidades da escola, mas o comprometimento total, principalmente nos primeiros 60 meses de vida, onde será estruturada toda sua base neurológica e que também após este período repensar o lugar da família para se pensar a aprendizagem a partir das relações humanas vividas. Infelizmente, escola e família têm buscado soluções isoladas para os problemas de aprendizagem das crianças e podemos constatar que a ausência de limites prejudica o desenvolvimento pessoal e os relacionamentos sociais, mas o excesso deles impede o amadurecimento individual. Aprender está estritamente ligado às relações humanas, não se aprende com qualquer pessoa, mas sim com quem se tenha alguma identificação. Passados alguns anos, o foco principal deixa de ser humanístico, se é que na prática ocorre, e passa a ser o preparo para o vestibular e todas as atenções passam a ser um exame seletivo e pontual, que irá definir suas chances no competitivo mercado de trabalho e sua posição diante da sociedade e até mesmo dos amigos. Após termos passados por toda essa trajetória acadêmica, os desafios estão ainda por vir, a conquista no mercado de trabalho.
Bibliografia
BIBLIOGRAFIA
EDUCAÇÃO, Ministério da (Brasil): “Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio”, Brasília, 1999.
EDUCAÇÃO, Ministério da (Brasil): ”Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio”, Brasília, 1999.
EDUCAÇÃO, Ministério da (Brasil): Lei n.º. 394, de 20.12.96, “Estabelece Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)”; In: Diário Oficial da União, Ano CXXXIV, n. ºpp. 27.833 - 27.841, Brasília, 23/12/1996.
MINUCHIN, Salvador – Famílias: Funcionamento & Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. p. 25-69. SARACENO, Chiara – Sociologia da Família
RIVIERE, ª(1983) “Por qué fracasan tan pocos los niños”.Cuadernos de Pedagogia, 104,7-12.

Publicado em 25/02/2012 14:01:00

Fonte: http://www.psicopedagogia.com.br/new1_artigo.asp?entrID=1448

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