19 de nov de 2014

Funções Cognitivas

Esse post é um complemento do post sobre memória e atenção. Resolvemos dedicar um post só para esse tema, pois assim o outro post não ficaria longo demais e para que vocês leiam com atenção sobre essas funções que são tão importantes no nosso dia a dia.
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Funções executivas (FE) são funções reguladoras do comportamento humano, funções necessárias para formular metas e planejar como alcançá-las. São todas as atividades mentais autodirigidas que ajudam uma pessoa a resistir a distração, solucionar problemas internos e externos e criação de estratégias para alcançar um objetivo.
Vamos dividi-las em duas categorias principais: habilidades de pensamento e auto-regulação.
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Muitos alunos têm problemas com o funcionamento executivo, em especial os com autismo e TDAH.
É importante reconhecer que o funcionamento executivo não está relacionado com a inteligência. Você pode ter um QI de gênio e ter um sério comprometimento para habilidades em FE. Da mesma forma, você poderia ter um QI mais baixo e tem grandes habilidades e ser capaz de funcionar no dia-a-dia de forma mais eficaz. É importante reconhecer que as dificuldades em FE não são preguiça. O aluno não faz sua lição de casa porque ele não consegue. Muitas vezes, esse mesmo aluno, passa horas a cada noite tentando, mas não realiza a tarefa. Déficits de funcionamento executivo são reais e temos que trabalhar para resolvê-los e ensinar o aluno a ser mais capaz de ajudar a si mesmo para ser bem sucedido.
Existem algumas chaves para abordar habilidades de funcionamento executivo que significa ir além de apenas ensinar estratégias individuais. O foco deve ser em ensinar os alunos a desenvolver, utilizando estratégias de acesso e utilização, e não apenas fornecer acomodações.
Então, quando avaliar os déficits de uma pessoa, uma das principais perguntas que precisamos fazer é se é um déficit de motivação ou um déficit de habilidade. Muitas vezes é uma questão de motivação. Isso significa que temos de encontrar formas de motivação do indivíduo para utilizar as estratégias. Acabamos focamos no problema e achamos que ele é difícil e ele não é. Vamos pegar o exemplo de um autista que não quer ir pro banho e isso acontece diariamente. Esse é um problema muito comum entre autistas por uma variedade de razões. Em primeiro lugar, muitos desses indivíduos não reconhecem o impacto que não tomar banho tem sobre uma rotina por causa de seus déficits sociais. Tem também questão sensorial, que torna esse momento complicado. Tudo isso diminui a motivação. Se a criança não sabe como encaixar o banho na sua rotina sem se desregular, então precisamos pensar em formas de motivá-lo para tomar motivadores externos que vão além do normal que é se sentir fresco e limpo (o reforçador para a maioria de nós). Esta criança não é preguiçosa; ela não está motivada para superar problemas reais que tornam o banho difícil e sem sentido para ela.
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Uma vez que podemos determinar se a função subjacente dos comportamentos é a motivação ou habilidade relacionada, podemos começar a desenvolver intervenções baseadas nessas funções. Se é uma questão de motivação, precisamos aumentar o reforço para completar a tarefa usando a estratégia ou diminuir o esforço envolvido, de alguma forma, de modo que não é preciso tanta motivação. Exemplo: Se a criança (adolescente ou adulto) não quer tomar banho, você tem que tornar a atividade atraente e usar algum reforçador: decorar o banheiro, comprar brinquedos de banho, mostrar a importância do banho, levar personagens preferidos para tomar banho junto, premiar com elogios cada etapa conquistada. Outra maneira de agir é diminuir o esforço: faça pequenas metas. Não exija que a criança tome banho sozinha todos os dias de forma perfeita como um passe de mágica. Brinque no banho e o ajude a fazer tudo. Depois que ela estiver adaptada ao ambiente e o banho tiver na rotina, comece a ensiná-lo a tomar banho sozinho aos poucos. Primeiro ensine a lavar as mãos e braços, o resto com ajuda, depois as pernas e pés, até se lavar por completo. Depois ensine a escolher roupas, colocar, etc. Tudo aos poucos.
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Se é um déficit de habilidade, então nós temos que dividir a tarefa e ensinar os passos sistematicamente. Se um aluno tem dificuldade para fazer um trabalho a longo prazo porque ele não consegue organizar os passos e seguir adiante, então temos que ensiná-lo a adquirir essa habilidade.
Distribuir a tarefa em passos (por exemplo, escolher um tema, pesquisar o assunto, fazer um esboço, escrever um rascunho, escrever o projeto final); em seguida escrever os passos em um calendário com a data final (data da entrega). Obs: Fazemos isso também com tarefas de casa: se a tarefa é pra daqui a dois dias, fazemos metade em um dia e metade em outro. Quando tem que entregar tudo no mesmo dia dividimos assim: Quando você chegar no número 3 te damos pausa de 10 minutos. Quando você chegar no 6 paramos para assistir um vídeo sobre máquinas de lavar. Quando acabar você ficará livre pra descansar e fazer o que quiser. E colocamos no concreto, em uma folha a parte todas as tarefas e a medida que vão sendo concluídas, riscamos e comemoramos!
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Temos que oferecer estratégias e não acomodações para que o autista adquira independência como os outros alunos e domine habilidades FE. Depois temos que ensiná-los a criar suas próprias estratégias de planejamento e organização. Temos que ensiná-los também a lutar pelos seus direitos: mais tempo nas provas, provas adaptadas, etc. É claro que isso acontecerá com autistas verbais e mais velhos.
A verdade é que todos nós usamos acomodações e estratégias para nos ajudar com funcionamento executivo. Usamos post-it, bips em celulares, secretárias que comandam as agendas, etc. Mas temos que trabalhar a diminuição de ajuda até que a pessoa consiga agir de forma independente. Temos que preparar nossos meninos para o ensino fundamental II, ensino médio, faculdade e mercado de trabalho desde que eles são pequenos.
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Outras estratégias:
- Pense em um mural estratégico ou para toda a classe com ferramentas para organizar materiais, tarefas e tempo de cada atividade.
- Ter tempo para a reflexão em sala de aula ou atividades para que os alunos adivinhaem quanto tempo cada atividade vai tomar.
- Escolher, a cada atividade, um aluno para cuidar do tempo. Ele fica com um temporizador e avisa quando acabar o tempo da atividade.
- Trabalhar com eles o uso de um calendário para que possam planejar seus deveres.
Concluindo e recapitulando:
As principais funções executivas “básicas” são:
- atenção (seletiva, concentrada e difusa);
- memória de trabalho;
- controle inibitório (contenção dos impulsos);
- auto-regulação (inclusive emocional)
- Metacognição (capacidade de raciocinar sobre o próprio conhecimento cognitivo).
Essas funções executivas básicas são a base para a estruturação de processos executivos mais complexos como:
- planejamento (requer alto grau de atenção, memória de trabalho, adequado controle inibitório e auto-regulação, além de uma habilidade metacognitiva aguçada);
- tomada de decisão (também requer o uso de todas as habilidades acima citadas);
- flexibilidade cognitiva (considerar diversos pontos de vista, aprender rapidamente e mudar de estratégia quando as estratégias previamente aprendidas já não surtem mais o efeito desejado);
- manutenção do foco e persistência ao alvo (capacidade de manter “na sua mente”, por períodos que podem ser relativamente longos, o seu objetivo e persegui-lo, mesmo que precise mudar de estratégias e fazer novas re-avaliações e planejamentos).
Brinquem junto com suas crianças, adolescentes e até adultos! Fiquem com a mensagem abaixo!
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Fontes:
Este post é tradução deste link (inclusive imagens) com adaptações do Estou Autista!
A Special Sparkle
July Neuro
Sweet land – imagem coração

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