
Diagnóstico Psicopedagógico
3.15 Técnica: Situação Agradável e Desagradável
A presente técnica tem como objetivo verificar o que o sujeito revela ou
está por revelar, por meio da projeção no papel, o conteúdo manifesto
ou latente de sua problemática de aprendizagem, ou mesmo do contexto
familiar que o mantém impossibilitado para o conhecimento escolar e/ou
de vida. A técnica em si, além do objetivo a que se propõe, auxiliará o
terapeuta a confirmar ou refutar hipóteses levantadas anteriormente.
Para sua aplicação dever estar disponíveis para o sujeito os seguintes
materiais: papel sulfite ou colorido, canetas hidrográficas de diversas
cores. Papelão de tamanhos variados, lápis de cor, no mínimo uma caixa
contendo doze unidades, tinta guache com cores básicas, massa de modelar
(em potes), lápis preto nº2, borracha, apontador, pincel atômico:
vermelho e azul, lápis de cera de uma espessura mais forte, papéis
coloridos, régua, tesoura e cola. Esses materiais tem a finalidade de
liberar a criatividade, seduzindo o sujeito para a execução de "algo",
que muitas vezes, ele mesmo nem sabe, conscientemente, o seu produto
final.
A consigna é: "Gostaria que você mostrasse para mim, uma situação de que
gosta muito." Deve-se acrescentar: "Use o que quiser desses materiais."
Ao término da atividade o terapeuta deve indagar sobre o que foi feito,
explorando o conteúdo latente do material. Em seguida, ou mesmo em
outra sessão, deve-se solicitar ao sujeito que mostre, utilizando os
materiais, uma situação de que não gosta.
3.16 Provas do Diagnóstico Operatório
As provas do diagnóstico operatório contemplam as atividades que objetivam:
1. Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos
2. Conservação das quantidades de líquidos (transvasamento)
3. Conservação da quantidade de matéria (quantidade contínua)
4. Conservação do comprimento
5. Conservação do peso
6. Conservação do volume
7. Classes - mudança de critério (dicotomia)
8. Quantificação da inclusão de classes
9. Intersecção de classes
10. Seriação de bastonetes
11. Prova de combinação de fichas duplas para pensamento formal
12. Permutações possíveis com um conjunto determinado de fichas
3.17 Teste WISC
O teste WISC consiste de algumas provas que propõem perguntas sobre:
Prova Um: Informação (que testa o domínio dos conhecimentos gerais),
Prova Dois: Compreensão (remetem a vivência pessoal e situações de natureza social),
Prova Três: Aritmética (verifica a capacidade de o sujeito usar
conceitos numéricos abstratos e operações aritméticas indicativas de seu
desenvolvimento cognitivo),
Prova Quatro: Semelhanças (exige um raciocínio de inclusão de classes,
em que o sujeito busca aspectos qualitativos das relações básicas entre
as coisas que podem ser aparentemente distintas),
Prova Cinco: Vocabulário (reflete o nível cultural, de escolaridade e o
meio sociocultural em que vive. Pretende dar uma visão da capacidade da
criança, para adquirir informações, de sua riqueza de ideias, do tipo e
da qualidade de sua linguagem),
Prova Seis: Números (explora-se nesse teste o nível de concentração e atenção, a memória verbal de números),
Prova Sete: Completar figuras (o sujeito deve nomear ou apontar o que
falta. Exige atenção e identificação visual de objetos, com uma rápida
discriminação do que é essencial no global da figura),
Prova Oito: Arranjo de figuras (explora a percepção de detalhes nos
diferentes cartões, englobados numa compreensão lógica no total. Usa
situações sociais do cotidiano e de fácil ocorrência no meio),
Prova Nove: Cubos (explora a percepção, análise, síntese e reprodução de
desenhos abstratos. É uma prova não verbal, que usa relações espaciais
para verificar aspectos de raciocínio lógico. É necessária também certa
coordenação visomotora),
Prova Dez: Quebra-cabeça (requer uma percepção de detalhes com boa
antecipação visual das relações parte-todo, síntese de formas visuais
concretas, coordenação visomotora, flexibilidade para trabalhar em meta
desconhecida),
Prova Onze: Código (explora a capacidade de aprender a associação de
símbolos e formas ou números, revelando a destreza visomotora e a
coordenação motora fina).
3.18 Teste - HTP
O Teste HTP do inglês, House, Tree, Person é um teste de grafismo
aplicado em avaliações psicológicas, sendo frequentemente utilizado em
testes de admissão de empresas e por órgãos do serviço público.
Fundamentos
O teste HTP deriva da interpretação das teorias de Sigmund Freud,
ampliando-se o conceito de que "A criança é o pai do homem".
Considerando que o desenho é um hábito comum entre as crianças, o teste
HTP, aplicado em adultos, é utilizado para a detecção da realidade
interna, tentando ultrapassar a barreira sobre como utilizamos uma
máscara: a beleza, perfeição e estética. Neste sentido, através do uso
do desenho, busca-se a exatidão da psique através do que se revela: a
essência, o fenômeno existencial, o homem como é.
Traços de personalidade
O teste consiste em se submeter uma folha em branco com o tema Casa,
Árvore e Pessoa. Através da análise do desenho produzido busca-se um
traço de personalidade: a imagem interna de si mesmo e de seu ambiente.
Considera-se, no teste HTP, que os desenhos têm grande poder simbólico,
reveladores de experiências emocionais e de ideais ligados ao
desenvolvimento da personalidade.
4 Considerações Finais
Após alguns estudos e análises bibliográficas conclui que a
Psicopedagogia surgiu da demanda dos problemas de aprendizagem e é por
esse motivo que tem como objeto de estudo a aprendizagem humana. Os
diversos autores que tratam da Psicopedagogia enfatizam o seu caráter
interdisciplinar.
A psicopedagogia como área de aplicação, tem procurado sistematizar um
corpo teórico próprio, definir o seu objeto de estudo, delimitar seu
campo de atuação e, para isso, recorre a outras áreas e teorias, por
isso sua característica interdisciplinar.
Atualmente, a psicopedagogia trabalha com uma concepção de aprendizagem
segundo a qual participa desse processo um equipamento biológico com
disposições afetivas e intelectuais que interferem na forma de relação
do sujeito com o meio, sendo que essas disposições influenciam e são
influenciadas pelas condições socioculturais do sujeito e do seu meio.
O psicopedagogo é o profissional que realiza o diagnóstico
psicopedagógico, ou seja, diagnostica, investiga e orienta quanto aos
problemas de aprendizagem favorecendo o desenvolvimento de atitudes e
processos de aprendizagem adequados.
Nesse trabalho clínico o psicopedagogo busca não só compreender o porquê
de o sujeito não aprender algumas coisas, mas o que ele pode aprender e
como. Para isso, o psicopedagogo clínico conta com o apoio de uma gama
de testes pelos quais chamamos de Diagnóstico Psicopedagógico. É através
deles que o psicopedagogo detecta os problemas de aprendizagem. É um
processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses
provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo
recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. É ele,
portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o
encaminhamento necessário.
Referências
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BOSSA, N. A.
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Técnicas de Diagnóstico Psicopedagógico - O diagnóstico clínico na abordagem interacionista. 1. Ed. São Paulo: Vetor, 2004.
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Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
PORTO, O.
Bases da Psicopedagogia: Diagnóstico e Intervenção nos problemas de aprendizagem. 3. Ed. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2007.
RUBINSTEIN, E.
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SANDRA D. M. S.; DORO, W. F.; SANTOS, E. O. (2003).
Desenhando a realidade interna. PSIC 4 (2): 70-6. VISCA, J. Clínica Psicopedagógica. Epistemologia Convergente. Porto Alegre, Artes Médicas, 1987.
WEISS, M. L. L.
Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 12. Ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
http://www.artigos.com/artigos/sociais/sociedade/qual-a-funcao-do-psicopedagogo-?-2060/artigo - Acesso em 10/04/2011 às 24h30.
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http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=489 - Acesso
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